A Missão de Deus Não Para: Lições de Josué 1 para a Igreja Hoje

JOSUÉ 1 E MISSÕES: A MISSÃO DE DEUS NÃO MORRE COM OS HOMENS

Josué atravessando o rio Jordão liderando o povo de Israel para a Terra Prometida
"Meu servo Moisés é morto. Dispõe-te agora, passa este Jordão, tu e todo este povo..." (Josué 1:2).

Há momentos na história em que Deus permite que uma geração encerre sua caminhada para provar se a próxima geração compreendeu a missão de Deus ou apenas admirava os líderes.

Moisés havia morrido.

O homem que enfrentou Faraó.

O homem que abriu o Mar Vermelho.

O homem que recebeu a Lei.

O homem que conduziu Israel durante quarenta anos no deserto.

Humanamente falando, aquele era o momento perfeito para a nação entrar em crise.

Mas Deus não chamou Josué para realizar um funeral prolongado.

Deus o chamou para avançar.

A primeira palavra divina após a morte de Moisés não foi um convite à nostalgia. Foi um chamado à missão.

"Dispõe-te agora."

A obra de Deus jamais esteve fundamentada em um homem. Sempre esteve fundamentada no próprio Deus.

Essa verdade atravessa toda a Escritura.

  • Abraão morreu.
  • José morreu.
  • Moisés morreu.
  • Josué morreu.
  • Davi morreu.
  • Os profetas morreram.
  • Os apóstolos morreram.

Mas a missão de Deus continuou.

O Reino nunca dependeu da permanência de homens extraordinários. O Reino depende da fidelidade do Deus eterno.

A Igreja existe para a missão assim como o fogo existe para queimar (STOTT, 2008, p. 35).

Quando a Igreja perde a consciência missionária, ela perde a compreensão de sua própria identidade.

O livro de Josué revela um princípio poderoso: a missão de Deus é maior do que qualquer geração.

A morte de Moisés poderia ter sido vista como uma tragédia irreparável.

Entretanto, Deus enxergava aquilo como uma transição.

Os homens passam.
A missão permanece.

Essa é uma das maiores lições para a Igreja contemporânea.

Muitas comunidades tornaram-se excessivamente dependentes de personalidades, líderes carismáticos, estruturas ou tradições.

Contudo, Deus continua levantando Josués quando os Moisés terminam sua carreira.

A missão nunca esteve nas mãos dos homens.

Sempre esteve nas mãos de Deus.

O CHAMADO É COLETIVO

O texto não diz:

"Passa este Jordão, Josué."

O texto diz:

"Passa este Jordão, tu e todo este povo."

A conquista da Terra Prometida não seria responsabilidade exclusiva da liderança.

Toda a nação deveria participar.

Aqui encontramos um dos fundamentos mais importantes da obra missionária.

Missões não são responsabilidade apenas dos missionários.

Missões são responsabilidade da Igreja.

Nem todos são enviados para o campo.

Mas todos são chamados para participar.

Alguns vão.

Outros sustentam.

Alguns pregam.

Outros intercedem.

Alguns atravessam oceanos.

Outros tornam possível essa travessia.

O apóstolo Paulo reconheceu essa parceria quando agradeceu aos filipenses pela cooperação financeira em seu ministério:

"Recebi tudo e tenho abundância" (Filipenses 4:18).

A palavra cooperação utilizada por Paulo carrega a ideia de participação ativa na missão.

Quem contribui para a expansão do Evangelho também participa dos frutos dessa obra.

Não é correto dizer que Deus tem uma missão para a Igreja; mais correto seria dizer que Deus tem uma Igreja para Sua missão (WRIGHT, 2014, p. 42).

A missão não pertence à Igreja.

A Igreja pertence à missão.

A PROMESSA EXIGIA MOVIMENTO

Em Josué 1:3, Deus declara:

"Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado."

Existe um detalhe extraordinário nesse versículo.

Deus já havia entregado a terra.

Mas Israel ainda precisava caminhar.

A promessa existia.

Mas exigia ação.

A bênção existia.

Mas exigia obediência.

A conquista existia.

Mas exigia movimento.

Essa é uma verdade frequentemente esquecida.

Muitas pessoas desejam ver o avanço da obra missionária sem se envolver com ela.

Querem resultados sem participação.

Querem colheita sem semeadura.

Querem expansão sem investimento.

Contudo, o princípio bíblico permanece.

Os pés precisavam avançar.

A fé genuína sempre produz movimento.

Tiago escreve:

"Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta" (Tiago 2:17).

A obra missionária exige uma fé que age.

Uma fé que ora.

Uma fé que serve.

Uma fé que contribui.

Uma fé que se sacrifica.

A CORAGEM MISSIONÁRIA

Três vezes Deus diz a Josué:

"Esforça-te e tem bom ânimo."

(Josué 1:6,7,9).

A repetição não é acidental.

Deus sabia que a missão enfrentaria oposição.

A Terra Prometida estava cheia de obstáculos.

Haveria muralhas.

Haveria exércitos.

Haveria gigantes.

Haveria batalhas.

A coragem não era necessária porque tudo seria fácil.

A coragem era necessária porque tudo seria difícil.

O mesmo ocorre com a missão da Igreja.

Levar o Evangelho nunca foi uma tarefa confortável.

Os primeiros cristãos enfrentaram perseguições.

Missionários atravessaram continentes.

Muitos morreram anunciando Cristo.

Outros enfrentaram fome, doenças, rejeição e isolamento.

Ainda hoje milhares de cristãos sofrem perseguição por causa da fé.

Mesmo assim, o Evangelho continua avançando.

Porque a missão não depende da ausência de dificuldades.

Depende da presença de Deus.

A PRESENÇA QUE GARANTE A MISSÃO

Talvez a declaração mais poderosa de Josué 1 seja:

"Assim como fui com Moisés, serei contigo; não te deixarei nem te desampararei." (Josué 1:5).

A segurança de Josué não estava em sua experiência.

Não estava em sua habilidade militar.

Não estava em sua liderança.

Estava na presença de Deus.

Toda missão autêntica nasce dessa certeza.

Jesus encerrou a Grande Comissão com uma promessa semelhante:

"E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mateus 28:20).

A missão continua porque Cristo continua presente.

Os recursos humanos possuem limites.

Os recursos financeiros possuem limites.

As estratégias possuem limites.

Mas a presença de Deus não possui limites.

É essa presença que transforma ofertas em sustento missionário.

É essa presença que transforma igrejas locais em centros de envio.

É essa presença que transforma homens comuns em instrumentos extraordinários.

CONCLUSÃO

Josué 1 não é apenas um capítulo sobre liderança.

É um capítulo sobre continuidade da missão.

Moisés morreu.

Mas Deus permaneceu.

A geração anterior passou.

Mas o chamado permaneceu.

O deserto ficou para trás.

Mas a missão avançou.

Hoje, Deus continua procurando homens e mulheres dispostos a atravessar seus próprios Jordões.

Pessoas que compreendam que a missão é maior do que interesses pessoais.

Maior do que conforto.

Maior do que tradições.

Maior do que qualquer geração.

A pergunta que ecoa desde Josué 1 continua sendo a mesma:

Quando Deus disser "dispõe-te agora", estaremos dispostos a avançar?

Porque a missão de Deus nunca para.

E aqueles que investem nela tornam-se participantes de algo que atravessa séculos, transforma vidas e ecoa pela eternidade.

  • BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.
  • STOTT, John. A missão cristã no mundo moderno. 2. ed. Viçosa: Ultimato, 2008.
  • WRIGHT, Christopher J. H. A missão do povo de Deus: uma teologia bíblica da missão da Igreja. São Paulo: Vida Nova, 2014.