Por que escrevi Entre o Altar e o Palácio
Quando a inquietação se transforma em responsabilidade
Todo livro nasce de um incômodo. No meu caso, não foi um evento isolado, nem uma reação momentânea. Foi a soma de anos observando a fé cristã perder, pouco a pouco, sua capacidade de questionar, confrontar e iluminar.
Vi altares cada vez mais próximos dos palácios e cada vez mais distantes das consciências. Vi discursos espirituais sendo ajustados para não incomodar. Vi o Evangelho, que deveria ser boa notícia libertadora, tornar-se justificativa para projetos de poder.
Foi esse cenário que me levou a escrever Entre o Altar e o Palácio. Não como resposta a pessoas específicas, nem como alinhamento a correntes ideológicas, mas como um chamado à lucidez espiritual.
Este livro não é um ataque. Não é um manifesto partidário. Não é uma tentativa de substituir um poder por outro. Ele não nasce do desejo de confronto, mas da necessidade de discernimento.
A missão da obra é simples e, ao mesmo tempo, exigente: ajudar o leitor a perceber quando a fé deixa de servir ao Reino de Deus e passa a servir aos reinos deste mundo. Recuperar a dimensão profética do Evangelho, que não se ajoelha diante do poder, mas também não foge da responsabilidade pública.
Se este livro cumprir esse papel — provocar reflexão honesta, gerar desconforto saudável e conduzir à fidelidade a Cristo — então sua existência já terá valido a pena.
A fé não foi chamada a ocupar palácios, mas a iluminar consciências.
Série: Entre o Altar e o Palácio